Hoje eu tirei o Nove de Paus como conselho… foi como se o universo, com mãos cheias de poeira de estrelas, tocasse meu coração e sussurrasse baixinho: “descansa bruxa… teu tempo não é o tempo da pressa.”-Tem fases em que tudo parece pedir esforço, como se cada passo fosse atravessar um campo de espinhos! Mas esse arcano veio como um chamado sutil: nem toda batalha precisa ser lutada agora!Algumas são apenas portais entre ciclos… portais pedem pausa, silêncio e respeito.
Sinto a vontade de agir, de empurrar o mundo com as próprias mãos, mas o Nove de Paus me ensina que, mesmo nesse impulso, há sabedoria em segurar. Nem toda semente brota mais rápido porque a gente insiste.Quando tudo ilumina demais, eu percebo: os atrasos não são bloqueios, são véus sendo levantados devagar,o que parece demora, é só o universo alinhando fios invisíveis que meus olhos ainda não alcançam!
Eu escrevo minhas ansiedades em papel e deixo queimar na chama de uma vela branca, vendo a fumaça dançar e levar embora a urgência que não me pertence. É assim que eu lembro: esperar também é magia.O Nove de Paus não fala de desistência,ele fala de resistência silenciosa, de guardar energia e entender que o “ainda não” também é um tipo de bênção.Porque disciplina, firmeza moral e persistência não são rigidez, são raízes profundas, crescendo no escuro, sustentando o que ainda vai florescer.
Então eu respiro.
Eu observo.
Eu me recolho como a lua antes de renascer.
E, com um sorriso pequeno e cheio de fé, eu me pergunto: pra que se desgastar agora?
Eu escolho esperar o momento certo.
Porque eu sei… lá no fundo, naquele lugar onde a magia mora… que tudo está vindo até mim no tempo exato em que deve chegar.Quando olho mais fundo nas cartas que me acompanham, encontro A Sacerdotisa, O Enforcado e O Julgamento… como um sussurro triplo atravessando o véu.
A Sacerdotisa segura meu olhar e pede silêncio! Ela me lembra que nem tudo precisa ser dito, explicado ou resolvido fora, há um templo dentro de mim, onde as respostas já existem, eu só preciso aquietar o mundo para escutá-las.O Enforcado vira meu mundo de cabeça para baixo, mas não com crueldade… com propósito! Ele me ensina a pausa sagrada, a rendição consciente, o aceitar ficar suspensa entre o que foi e o que será. É desconfortável, sim… mas também é onde a alma se reorganiza.
E então, como um sopro de amanhecer depois de uma longa noite, vem O Julgamento.
Um chamado.
Um despertar.
Como se o universo batesse levemente na minha porta e dissesse: “já está na hora… levanta.”
E eu entendo.
Toda essa espera não é vazia. Todo esse silêncio não é ausência. É preparação.
Eu estou sendo guiada para um renascimento suave, mas inevitável,então hoje, eu honro o tempo entre os tempos, abraço o não-agora como parte do caminho.Confio no invisível, no suspenso, no que ainda está se formando além dos meus olhos.
Porque quando o chamado vier (e ele virá) eu vou estar pronta.
Com o coração inteiro.
Com a alma desperta.
E com a certeza doce de que até a espera… sempre foi magia.
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